Agronegócio Reclama da Alta no Diesel

joão paulo - ocepar2A nova alta de 5% no preço do óleo diesel nas refinarias anun­ciada pela Petrobrás no início do mês, que já havia elevado o combus­tível em 5,4% no fim de janei­ro, levou analistas, empresas e entidades a refazer os cálcu­los para determinar o impacto de alta que a medida pode ter no custo do frete no País tanto no setor agropecuário quanto no industrial. Estudos iniciais de várias instituições apon­tam para aumentos que va­riam de 1,25% a 5%, o que significaria um repasse integral do aumento.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) projeta que o reajuste do preço do die­sel vai provocar um impacto médio de 1,25% sobre o valor do frete. “É sempre uma pres­são inflacionária, já que 60% do transporte de carga no País é sobre rodovias”, afirmou o presidente da entidade, Clésio Andrade. Já a Associação Na­cional do Transporte de Car­gas e Logística, (NTC&Logística) estima que o custo do frete pode ficar em média 1,46% maior.

Apesar das projeções de alta, Luiz Camilo Beneti, pesquisa­dor da Esalq-Log – Grupo de Pesquisa e Extensão em Logísti­ca Agroindustrial, disse que motoristas autônomos podem absorver o novo aumento do preço do diesel em busca de competitividade. “Ao observar que os valores das transporta­doras estão altos, (eles) apro­veitam para entrar no mercado com os valores dos fretes mais baixos, dando assim equilíbrio (aos preços) no setor.”

Agronegócio. Já a Organiza­ção das Cooperativas do Para­ná (Ocepar) prevê que a alta do diesel pode representar um au­mento no mesmo nível para o frete. “É possível que seja repas­sado (o porcentual de) 5% ou mais, porque o mercado está aquecido”, disse João Paulo Kosloski, presidente da Ocepar. Com a falta de cami­nhões para escoamento da sa­fra, a nova Lei dos Caminhonei­ros e a alta anterior no combus­tível, os fretes no Paraná já es­tão mais altos do que no ano passado.

Para Mafiolletti, o produtor só não tem reclamado mais da elevação dos custos do frete porque os preços dos grãos es­tão em níveis mais elevados do que no ano anterior. “Mas com certeza, já estão resultando em menor receita”, disse, fazendo referência a uma redução dos ganhos por conta do aumento desse custo. “A Lei dos Cami­nhoneiros não vai mudar, o pre­ço do diesel também não”, afir­mou ele, com a projeção de que, mesmo com demanda me­nor por transportes no segun­do semestre, o preço do frete não recuar ao nível de 2012.

A Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) calcula que os dois rea­justes de preços do óleo diesel nas refinarias devem provocar aumento de 1% no custo de pro­dução das principais lavouras do Estado. Segundo o superin­tendente da entidade, Seneri Paludo, esse impacto no cenário atual de preços da soja não chega a ser preocupante, mas os produtores devem “deixar as barbas de molho”, pois o impacto do combustível será grande no caso de retração das cota­ções da oleaginosa. Ele lembra que a margem histórica de ga­nho na soja é de 10% a 15%.

Paludo observou que a alta de preços do diesel também afe­ta as margens dos produtores devido aos maiores gastos com o frete, tanto na compra dos in- sumos como no escoamento da safra para os portos. (Informações do O Estado de São Paulo).

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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