Devolução de R$ 600 mil da Câmara para a Prefeitura gera polêmica em Carambeí

Câmara de Carambeí devolveu R$ 600 mil para a Prefeitura. Foto: Divulgação.

Mesmo com mais de uma semana da última sessão do ano, a devolução do valor de R$ 600 mil da Câmara Municipal para a Prefeitura gerou muita polêmica em Carambeí. O valor é referente a sobra de recursos do orçamento do legislativo deste ano de 2017 e que voltarão para os cofres da Prefeitura.

De acordo com as informações da Mesa Executiva, R$ 100 mil foram repassados para a diretoria do Parque Histórico, para a realização da Festa de Natal, e os restante dos recursos irão para o Executivo aplicar em obras e ações do governo.

Entretanto, o que motivou alguns comentários pelos corredores do prédio legislativo é o fato de que os vereadores não possam opinar na aplicação destes recursos, tendo em vista que é uma sobra orçamentária do Poder Legislativo.

Alguns acreditam que, como é a Câmara que está devolvendo estas sobras, os vereadores poderiam ter voz ativa na aplicação destes recursos. É provável que isto não deva ocorrer. Não com todos, pelo menos.

TUDO GERA POLÊMICA

O fato é que, desde a eleição da Mesa Executiva na Câmara Municipal, no começo de 2017, tudo passou a gerar polêmica em Carambeí. Ocorre que de uma base aliada ao prefeito Osmar Blum gerou-se dois grupos distintos: aquele que venceu as eleições, comandado pelo atual presidente Diego Macedo, e outro grupo que tinha na linha de frente Antonio Joel Coza e outros vereadores. 

E desde o início dos trabalhos legislativos, não houve coesão entre os dois grupos, pois havia entendimentos diferentes a respeito de como os trabalhos deveriam ser tocados no legislativo, além das relações já estremecidas com o Executivo. E olha que estavam todos no mesmo barco nas eleições municipais!

O foco central passou a ser o chefe de Gabinete, Márcio Taques, envolto em denúncias das mais diversas, inclusive com ações movidas pelos Ministério Público e que estão correndo na justiça. A atuação de Márcio, como comandante-chefe da Prefeitura, desagradou o segundo grupo, que esperava – evidentemente – um trânsito maior no governo municipal.

Com o passar do tempo, o poder subiu à cabeça do chefe de gabinete, o qual passou a não dar bola para o grupo de vereadores que se insurgiu contra aqueles que mais se aproximaram do prefeito.

Resultado de tudo isto, é que a Câmara Municipal, depois de muita pressão, chegou a abrir uma CEI para investigar a atuação de Márcio Taques, e mesmo não resultando em apontamentos mais sérios, criou o clima de racha entre a base governista.

Agora, a Câmara Municipal está divida em dois grupos: o grupo majoritário formado pelo presidente Diego Macedo, o vice Diego Silva, Elio Ratinho, Lourival Iaros, Joel Rosa e Ricardo Enevan.

Já o Grupo dos 5 é formado por Paulo Valenga, João Penteado, Jeverson Gomes da Silva, Emerson Bueno e Antonio Cosa.

É certo que na base do voto, os governistas normalmente vencem as votações. Porém, nos projetos que há necessidade de aprovação por 2/3 dos vereadores, o Executivo sempre terá dificuldades para aprovação dos projetos.

EXPECTATIVA DE 2018

As perspectivas para 2018 não devem mudar. Ainda mais em um ano com eleições gerais, onde os vereadores formam a base dos deputados estaduais e federais na região e cada um vai tentar manter seu nicho eleitoral.

Entretanto, o que a população espera é que esta divisão entre o legislativo e o executivo não venha a colidir com o interesse público. Há que se buscar o entendimento para que a população seja atendida. Entretanto, também não podemos esquecer que a principal função do vereador é de fiscalizar os atos do prefeito e sua equipe.

Assim, pelo menos nos números, a divisão existente em Carambeí, pelo menos, torna mais equilibrada a relação entre a propaganda oficial do governo municipal e as ações propriamente ditas.

  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

 

 

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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