Qual poderá ser a influência da Operação Quadro Negro nas eleições de 2018?

A Operação Quadro Negro poderá ter alguma influência política nas eleições de 2018? Foto: Arquivo.
Depois de algum tempo meio que estagnada, a Operação Quadro Negro avança em suas fases de investigações e chegou em Ponta Grossa, através de processos envolvendo três escolas que deveriam ser construídas pela Valor Construtora, mas não foram terminadas.
Quanto a questão de justiça, confiamos no Ministério Público, bem como no Gaeco, e todas as investigações que estão sendo feitas, acreditando que as pessoas envolvidas no desvio de mais de R$ 20 milhões sejam sumariamente levadas a julgamento e, sob o rigor da Lei, sentenciadas a pagar suas dívidas com a sociedade.
Entretanto, sob o aspecto político da coisa, talvez ainda não possamos avaliar a extensão dos prejuízos que a Operação Quadro Negro possa realmente fazer nos nomes que estariam, de uma forma ou de outra, segundo o MP e o GAECO, sendo investigados através de denúncias dos delatores que até agora se apresentaram perante os procuradores.
Nomes importantes da política paranaense foram levados a público, os quais, de acordo com os delatores, poderiam fazer parte do desvio de verbas das construções das escolas, e que levaram os donos da Valor Construtora para a cadeia, bem como alguns diretores da Secretaria de Educação, envolvidos no escândalos e já com culpabilidade confirmada.
A começar pelo Governador Beto Richa, evidentemente o principal nome da lista, passando pelo seu chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, pelo presidente da Assembléia Legislativa, Ademar Traiano, pelo presidente do TCE, Durval Amaral, e o pelo primeiro secretário da ALEP, deputado Plauto Miró, entre outros. É a cúpula do comando político do Estado.
Todos negaram qualquer envolvimento nas denúncias apresentadas pelos delatores, e de acordo com as regras legais, todos são inocentes perante a Lei, até que se prove em contrário. Assim, presume-se a inocência, pois até agora o que se apresentou foram palavras por parte dos denunciantes, faltando a necessária comprovação dos fatos através de provas substanciais e outras diligências.
Por enquanto, calcula-se qual poderá ser o estrago eleitoral que tal situação poderá acarretar a cada um deles, ou coletivamente, já que estas pessoas fazem parte do mesmo grupo político que vem governando o Paraná nos últimos 7 anos.
Diante do que se levantou até agora, o governador Beto Richa e os demais denunciados, pouco tem a temer, pois é palavra dos delatores contra a palavra deles.
Porém, se as investigações continuarem e algumas das denúncias forem efetivamente comprovadas, o rumo da história poderá mudar completamente, pois a sociedade paranaense verá então com outros olhos os políticos que comprovadamente tirem algum tipo de envolvimento com estes desvios.
Neste caso, precisaremos ficar atentos também a possíveis novas delações premiadas que possam ocorrer.
Esta hipótese não pode ser descartada. Já vimos este filme. Recentemente, no caso da Operação Lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci, ex-grande amigo de Lula e da patota do PT, deu com a língua nos dentes e delatou contra seu próprio grupo, colocando ainda mais subsídios para que a justiça possa exercer suas sentenças condenatórias.
No caso de uma delação premiada de algum político envolvido e que possa minimamente ser atingido por alguma fagulha destas denúncias e investigações, poderia ocorrer aquela situação do efeito dominó, o que seria praticamente um suicídio eleitoral há poucos meses antes do pleito.
Por enquanto, resta-nos aguardar. Qualquer exercício de adivinhação no momento é muito arriscado. Por si só o envolvimento dos nomes apresentados já gera um desgaste muito grande. Mas, não devemos nunca esquecer que denúncias precisam ser comprovadas, repetimos, para que ilações não sejam proferidas com a única intenção de macular a imagem de quem quer que seja.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

 

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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