A vergonha alheia de Gleisi Hoffmann e Roberto Requião

Parte da população paranaense que votou em Gleisi Hoffmann e Roberto Requião de Melo e Silva, e mesmo aquela outra parte que não votou, está sofrendo da chamada “vergonha alheia” pelas lamentáveis declarações e procedimentos destes dois senadores da República. Gleisi, no melhor (ou pior) estilo guerrilheira, tem apontado sua metralhadora de combatente para todos os lados, convocando seus partidários “à luta e à guerra’.
Requião, ao seu modo boquirroto e arrogante, também tem destilado perolas ao tentar defender o “lulapetismo” com uma submissão que assombra e preocupa, pois o nível de defesa a qual se presta o senador, às vezes, nos passa a impressão de que é ele mesmo quem está sendo acusado e julgado.
Sejam quais forem as razões que levam a ambos os senadores a atuarem de forma tão tragicômica, é de se lamentar que os mesmos estejam representando o Estado do Paraná no Congresso Nacional.
A parte que cabe a Gleisi entendemos até certo ponto. A senadora foi daquelas que cresceu com o PT. Saiu do interior do Paraná, de secretária municipal do ex-prefeito Nedson Miqueletti, em Londrina, passando por Itaipu, depois Casa Civil e agora o Senado da República. Enquanto o PT estava no poder, Gleisi era toda pomposa, com atitudes e pronunciamentos que beiravam a monarquia.
Depois que ela e seu partido cairam em desgraça, dado o comando instituído no desvio sistemático de bilhões de reais dos cofres públicos de antigas lideranças do PT, Gleisi se transformou na pior espécie de político que um país, ou Estado, pode ter: aquele que mesmo enfiado até o pescoço no lamaçal dos escândalos, tenta vender a imagem de inocente, mas que revela, pouco a pouco, o verdadeiro íntimo da sua atuação política.
Já o caso de Requião é diferente. Governador por três vezes do Paraná, o senador, do alto dos seus 76 anos, tem história no comando do estado, com projetos e iniciativas que ainda são modelo e exemplo. Apesar de seus rompantes nada republicanos, e a inerente falta de educação, principalmente para com quem não concorda com suas posições, Requião era, pelo menos, alguém que poderíamos considerado isento de comprovação de falcatruas na vida pública.
Entretanto, seus ataques ao judiciário, sua perseguição desenfreada à Lava Jato, a defesa intransigente de Lula e outros séquitos do PT, nos faz pensar seriamente quais serão os motivos que levam o senador a tomar esta linha de procedimento. Estaria ele também no curso de denúncias e escândalos? Não gostaríamos de acreditar nisto!
Sejam quais forem os motivos ou propósitos desta dupla de senadores, os paranaenses por certo não estão nada satisfeitos com a sequência de vergonhas que somos obrigados a ver e ouvir de Gleisi e Requião. É lamentável que ambos percam tanto tempo, disposição e dinheiro público (sim, o tempo e as viagens deles custam dinheiro) para infelizes estocadas em eventos, reuniões e presenças públicas. Chega a dar vergonha de ser paranaense neste momento, e termos estes representantes no Senado.
Outro ponto em comum é que ambos devem buscar a reeleição neste ano. Gleisi, inclusive, já encaminha uma candidatura a deputada federal, porque sabe das dificuldades que terá em obter nova vaga no Senado Federal.
Embora Requião possa ter mais facilidade, sua atitudes até outubro podem complicar uma eleição que parecia tranquila e animar outros interessados nas duas vagas que se abrem para o Estado do Paraná.
Pelo andar da carruagem, estes pretensos interessados podem ir se animando mesmo. Nesta balada, Gleisi e Requião não somente experimentarão a vergonha alheia do povo paranaense, mas sua revolta e indignação nas urnas, isto se penalidade maior não for aplicada antes por um outro tipo de tribunal.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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