Beto Richa cumpriu apenas 21% das promessas de campanha

Beto Richa cumpriu apenas 21% das promessas de campanha. Maioria ainda está em estado de espera. Foto: Arquivo.

De um total de 76 promessas e propostas apresentadas para a população do Paraná durante a campanha eleitoral de 2014, o governador Beto Richa cumpriu pouco mais de 21% delas, ou seja, um total de 16 promessas foram integralmente concluídas. O levantamento foi feito pelo jornal A Gazeta do Povo e o Portal G1 Paraná/PRC. 

Ainda de acordo com o levantamento, do total de promessas/propostas, 38% foram parcialmente cumpridas e – pasmem – outras 31 (41%) nem saíram do papel, já que todas foram registradas como Plano de Governo no Tribunal Superior Eleitoral.

Para o um governo que vai para a TV e jornais, gasta verbas milionárias com propaganda para anunciar os feitos de sua gestão, é muito pouca realização. Estamos falando de mais da metade das promessas/propostas não cumpridas em 3 anos do novo mandato.

SAÚDE, EDUCAÇÃO  E SEGURANÇA

E entre as promessas não cumpridas por Beto Richa, estão os pilares com os quais todo governante deveria se preocupar: educação, saúde e segurança. Foram diversas nestes temas. Veja algumas das promessas de Richa nestes segmentos:

CRIAR CENTROS DE REFERÊNCIA DE ATENÇÃO AOS IDOSOS

SUPERAR AS METAS PREVISTAS NO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

TORNAR O PARANÁ ‘TERRITÓRIO LIVRE DO ANALFABETISMO’

CRIAR O CENTRO ESTADUAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

TRIPLICAR AS MATRÍCULAS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO SISTEMA PRISIONAL

CONSTRUIR, AMPLIAR OU REFORMAR UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA

FORMAR EQUIPES PARA DOBRAR O NÚMERO DE CONSULTAS NOS CENTROS DE ESPECIALIDADE

ZERAR O NÚMERO DE PRESOS EM TODAS AS DELEGACIAS DO ESTADO

COMPRAR MAIS DE 300 MÓDULOS POLICIAIS NOVOS

CONSTRUIR OU AMPLIAR 20 PENITENCIÁRIAS

MUITA PROPAGANDA E POUCA REALIZAÇÃO

O resultado deste levantamento do G1 Paraná mostra  a realidade das campanhas eleitorais no Brasil, pois o fenômeno de repetiu em outros estados, de acordo com a mesma pesquisa realizada pelas afiliadas da Rede Globo e outras unidades da federação.

As campanhas eleitorais são milionárias e visam vender um peça de ficção para o eleitor, que acredita naquele teatro montado pelos marketeiros. Eles mesmos, os candidatos, sabem que a grande maioria das promessas não poderá ser cumprida, pois as metas dependem muito de conjecturas econômicas e – principalmente – políticas.

Mas, eles não querem nem saber. Prometem sabendo que não vão poder cumprir com o intuito apenas de vencer a eleição. 

Depois de empossado em seu cargo, como comandante em chefe do Executivo, eles vão tentar – isto mesmo, tentar – ver o que será possível realizar de fato daquelas prometas mirabolantes feitas no processo eleitoral.

Isto ocorre porque não há – de fato – a montagem de um Plano de Governo levando-se em conta dados técnicos e estratégicos. Os grupos políticos dominantes utilizam tão somente a propaganda, os efeitos especiais para iludir uma grande parte da população, que ao ver aqueles programas bem produzidos, como imagens bonitas e efeitos especiais, acaba acreditando nas promessas.

Tanto é assim que, normalmente, o vencedor da eleição é aquele candidato que mais investiu em propaganda eleitoral. Foi o que mais gastou dinheiro na campanha, principalmente para os cargos majoritários.

Este estado de coisas somente vai mudar quando: 1) houver a rigorosa fiscalização dos órgãos eleitorais, pois propostas e promessas registras junto ao TRE ou TSE deveriam ter força de Lei. Se o governante não cumprir – no mínimo – 80% das promessas na totalidade – perde o cargo e não pode mais se candidatar para outro cargo público; 2) o povo em si mesmo tomar consciência que vale muito mais pesquisar a vida pregressa do candidato e analisar se as propostas apresentadas são coerentes. 

No mais, temos só a lamentar. Pena que é bem possível que este teatro continue nas próximas eleições de outubro, e daqui a quatro anos talvez estejamos lamentando os mesmos números tristes. 

Tomara que não!

  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

 

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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