Sem a candidatura de Lula, seria o fim do PT?

A condenação de Lula seria também o fim do PT?
A eminente cassação dos direitos políticos do ex-presidente Lula, depois da condenação no Tribunal Regional Federal 4ª Região, em Porto Alegre, abre um questionamento muito grande, principalmente para a militância petista: seria o fim do PT?
Começando pelas lutas sindicais e sociais dos anos 70 e 80, passando pelo aprendizado do processo eleitoral, chegando até o poder onde permaneceu por 13 anos (coincidência, o número do partido), o PT experimenta a pior crise de todos os tempos, desde que a presidente Dilma foi reeleita em 2014, quando então o time da estrela vermelha era a maior sigla partidária deste país.
Já nas eleições municipais de 2016, quando a presidente Dilma sofreu o impeachment, o PT viu sua representatividade nas prefeituras e câmaras municipais pelo Brasil afora encolher de forma substancial. Um exemplo, foi em Ponta Grossa, onde o partido elegeu 2 vereadores em 2012, e não conseguiu emplacar nenhum candidato em 2016, nem chegou perto.
Neste ano, para as eleições majoritárias (senador, governador e presidente) e também nas proporcionais (deputados federais e estaduais), especialistas garantem que o PT vai perder representatividade nas assembleias estaduais e na Câmara Federal, assim como terá enormes dificuldades para emplacar governadores e senadores. Uma missão quase impossível estas últimas.
A presidência da república, é um capítulo bem a parte. Sem Lula na disputa, o PT dificilmente conseguirá emplacar um outro nome com as condições mínimas para tentar disputar os votos contra outros eventuais concorrentes.
Sem palanque nas principais cidades, o PT deverá ser condenado ao ostracismo, se contentando com vagas esporádicas de deputados em regiões mais no interior do país, especialmente no norte e nordeste.
Com uma provável quedo no número de representantes no Congresso Nacional, a sigla terá redução no Fundo Partidário, o que vai se refletir em 2020 nas eleições municipais, as quais vão criar a famosa cláusula de barreira, que será o fim definitivo para muitos partidos.
Mesmo com a tentativa de remanescentes partidários de reestruturação interna, de mobilizar a militância, que ainda tenta resistir, fica claro e evidente que a candidatura de Lula e uma eventual vitória nas eleições presidenciais, seriam as última esperança de sobrevivência. Seria a salvação!
Entretanto, os constantes escândalos de corrupção em que o PT aparece cada vez mais envolvido, inclusive com militantes que ocupavam altos escalões dos governos anteriores e organizavam alguns dos esquemas de desvio de dinheiro público, fica claro que o poder de fogo do partido vai sendo reduzido gradativamente a cada denúncia ou sentença condenatória.
Será que os sobreviventes terão força e ânimo para tentar reerguer aquela que já foi a maior sigla partidária do país, ou veremos a extinção definitiva do Partido dos Trabalhadores?
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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