Vereadores ignoram corporativismo e trocam acusações em plenário

Todos contra um. Vereador Felipe Passos tem sido alvo de inúmeras reclamações dos colegas de plenário. Foto: Kauter Prado.
O plenário da Câmara Municipal de Ponta Grossa foi palco de troca de acusações e lavagem de roupa suja entre os vereadores nas últimas sessões. Alguns discursos e pronunciamentos visaram apresentar acusações direcionadas ao vereador Felipe Passos (PSDB), que tem anunciado algumas medidas – segundo ele – moralizadoras para reduzir os gastos de sua atuação como parlamentar.
Tudo começou na sessão do dia 26 de fevereiro, quando o vereador Jorge da Farmácia (PDT) questionou o vereador Felipe Passos (PSDB) sobre algumas postagens nas redes sociais, onde Passos teria apontado que estaria economizando R$ 34.600,00 por não utilizar o telefone celular disponibilizado pela Câmara, não utilizar diárias para viagens e também o envio de cartas.
Naquela sessão, Jorge disse que ficou preocupado e cobrou de Felipe Passos explicações quanto ao cálculo feito para se chegar aquele valor anunciado nas redes sociais. Outros vereadores comentaram sobre o assunto, cobrando maiores explicações de Passos sobre as postagens, ressaltando que seria uma maneira de jogar a opinião pública contra os vereadores.
Felipe retrucou naquela mesma sessão dizendo que existem algumas situações as quais considera equivocadas, e relatou, inclusive que um vereador chegou a ser “pego dirigindo embriagado”, mas sem revelar o nome de quem teria sido tal parlamentar.
Já na sessão de segunda-feira última, dia 5 de março, Pietro Arnaud (Rede) fez um extenso comentário na tribuna, cobrando explicações de Felipe Passos sobre a doação que teria sido feita pelo vereador de parte de seus subsídios para uma entidade filantrópica. Pietro disse que o vereador Felipe “deveria revelar qual a entidade beneficiada e qual valor foi efetivamente destinado”. Não houve réplica.
SITUAÇÃO VEM PIORANDO
A situação do vereador Felipe Passos perante os demais vereadores vem piorando nos últimos tempos. Tudo começou quando Passo tentou implantar um projeto que obrigava os vereadores a justificarem seus ausências nas sessões. O projeto recebeu críticas de todos os vereadores e Felipe recebeu o troco bem rápido, pois foi questionado sobre sua ausência em uma viagem particular ao Vaticano acompanhado de um de seus assessores.
Uma das cobranças dos demais vereadores diz exatamente respeito as medidas apresentadas por Felipe, como sendo moralizadoras e que geram economia para a Câmara, porém nos corredores, muitos questionam os gastos que o legislativo teve para realizar adequações físicas por conta do vereador ser cadeirante.
“Ele esquece que a Câmara gastou muito dinheiro para que ele pudesse ter mais conforto em seus deslocamentos no plenário”, comentou um dos que preferiu não ser identificado. “Não é só ele que vai usar, mas a obra foi feita por causa dele”, teria comentado outro.
Há quem afirme inclusive, que o presidente da Câmara, Sebastião Mainardes Júnior (DEM) foi consultado sobre a possibilidade do legislativo adquirir um veículo adaptado especialmente para ser utilizado por Felipe Passos. Não se sabe ao certo se existe tal ofício em poder do presidente do legislativo.
PROBLEMA ESTARIA NA ASSESSORIA
Comentários nos corredores do legislativo dão conta de que muitas das ações do vereador Felipe estariam esculpidas por sugestões de seu assessor mais direto, gerando assim diversas desavenças e o atual desconforto do parlamentar perante a maioria dos colegas de plenário.
Uma investigação por parte da Corregedoria chegou a ser cogitada por conta desta viagem ao Vaticano, uma vez que não houve desconto dos dias da referida viagem e somente depois da reclamação é que o vereador pediu ao RH da Câmara o desconto dos dias em que o assessor deixou de comparecer ao trabalho.
A assessoria do vereador, como o próprio nome sugere, serve para prestar serviços de suporte ao mandato do parlamentar, e não incitar para que o vereador proceda desta ou daquela forma.
Além disto, a boa tratativa com os demais vereadores, assessores e funcionários da Câmara é um procedimento que deve ser seguido por quem está temporariamente em uma função pública.
SITUAÇÃO TENDE A PIORAR
Certamente esta será uma questão a ser resolvida internamente pelos vereadores.
Entretanto, a animosidade reinante para com o vereador Felipe Passos isto é perceptível durante as sessões em plenário.
A bancada governista mais organizada entende que Felipe estaria querendo “aparecer” mais do que outros vereadores e que sua publicidade teria a intenção de macular a imagem dos demais parlamentares.
Existe também uma avaliação recorrente de que tais procedimentos estariam dotados de demagogia, pois muitos cobram que o vereador diz uma coisa e depois pratica outra bem diferente.
Não estamos aqui crucificando (com o perdão da alusão) o vereador Felipe Passos, que tem procurado realizar seu trabalho como parlamentar. Afinal de contas, cada um faz de seu mandato o que bem entender.
Porém, estamos verificando que existe um desgaste muito grande e a continuar este tipo de procedimento, os vereadores perderão muito tempo discutindo situações particulares e picuinhas de lado a lado, deixando em segundo plano assuntos relevantes para a população.
O problema é que, se ambos os lados mantiverem a tática de atirar para todo lado para ver onde o tiro vai pegar, o perigo parecer ser constante principalmente para quem tiver a proteção mais frágil.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

View all posts by Paulo Sérgio Rodrigues →