Câmara de Carambeí aprova CEI para investigar vereadores

Vereadores titulares e suplentes aprovaram a abertura de uma CEI para investigar cinco vereadores em Carambeí. Foto: Divulgação CMC.
Uma sessão extraordinária realizada na noite da última quinta-feira (3) na Câmara Municipal de Carambeí, aprovou a abertura de uma Comissão Especial de Investigação – CEI para averiguar suposta irregularidade em assinaturas em documentos internos do legislativo.
Para esta sessão, foram convocados cinco vereadores suplentes, uma vez que a CEI pretende investigar os titulares em um caso que está chamando muito a atenção da população de Carambeí e região.
ENTENDA O CASO
No mês de dezembro último, cinco vereadores da oposição no legislativo, conhecido com o Grupo dos 5, Antonio Joel Coza, Jeverson Gomes da Silva, Paulo Valenga, João Penteado e Emerson Plovas “Scheick” apresentam um requerimento para abertura de uma CEI para investigar denúncias de supostas irregularidades no acesso a vagas nos CMEI´s da cidade.
O denunciado era, nada mais, nada menos, que o presidente da Câmara Municipal, vereador Diego Macedo. De acordo com a denúncia, Macedo teria “furado a fila” das creches para matricular sua filha na frente das outras crianças da lista de espera.
Obviamente que a maioria dos votos negou a abertura da investigação e o requerimento foi arquivado.
Porém, alguns meses depois, em março deste ano, o departamento jurídico da Câmara levantou a suspeita de que a assinatura de dois vereadores no requerimento estariam diferentes das constantes em outros documentos que tramitaram pelo legislativo.
O presidente Diego Macedo autorizou a contratação de um perito (sic) grafotécnico para verificar se as assinaturas dos cinco vereadores batiam com as consideradas originais. O perito emitiu um laudo dizendo que “haviam divergências” em duas assinaturas, ou seja, dos vereadores Antonio Joel Coza e Emerson Plovas “Scheick”.
Imediatamente o presidente Diego Macedo convocou a sessão extraordinária e também os cinco suplentes (já que os titulares não podem votar no caso de abertura de investigação contra eles) para a leitura e aprovação da abertura da CEI.
O Grupo dos 5 tentou evitar a realização da Sessão Extraordinária, mas a liminar peticionada não foi aceita pela Justiça de Castro.
RETALIAÇÃO POLÍTICA
Embora a tentativa do Grupo dos 5 em abrir uma CEI para investigar o presidente tenha sido um “tiro no pé”, evidentemente que a abertura da CEI contra os vereadores pode ser considerada uma retaliação. Afinal de contas algumas perguntas merecem ser feitas:
Porque o presidente e seus assessores demoraram três meses para averiguar as assinaturas no requerimento?
Porque a CEI aprovada esta semana pede para investigar os cinco vereadores, já que foram constatadas divergências em apenas na grafia de dois vereadores?
Evidentemente que o Grupo dos 5 não deveria ter apresentado o requerimento antes de pedir explicações internamente para o presidente. Afinal de contas, roupa suja se lava em casa. No mundo corporativo é assim, ninguém saí atirando pra todo lado, expondo feridas da corporação sem antes verificar como e de que forma os fatos ocorreram, se é que ocorreram.
Na ânsia de mostrar serviço, Coza, Valenga, Jeverson, Scheik e Penteado se precipitaram ao propor a CEI. Claro que não ia passar, pois o governo municipal tem a maioria na Casa de Leis.
Mesmo sem muito diálogo por parte do presidente e do governo, na pessoa do Chefe de Gabinete, que já provou que pinta e borda no legislativo ao seu bel prazer, o Grupo dos 5 deveria ter tratado o assunto da denúncia contra o presidente internamente.
E AGORA COMO FICA?
Os cinco vereadores reassumem suas cadeiras normalmente a partir da próxima sessão, quando deve ser formada a CEI com três membros escolhidos a dedo. Claro que todos serão do governo. E evidentemente que todos já sabemos qual será o resultado, pois é intenção do governo atual dizimar com a oposição na Câmara Municipal.
Se nada for feito politicamente ou judicialmente, corre-se o risco dos cinco vereadores perderem seus mandatos, uma por estratégia errada da oposição, e outra, pela ditadura imposta pelo governo no legislativo carambeiense.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

 

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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