E o Conselho Municipal de Transportes defende os interesses de quem mesmo?

A discussão da possível redução do valor da tarifa do transporte coletivo em Ponta Grossa vem gerando muita polêmica nos últimos dias. Neste contexto, alguns vereadores cobram da AMTT a revisão da tarifa tendo em vista a queda no valor do óleo diesel em R$ 0,46 e uma ação popular também pede na justiça que o valor da passagem do ônibus seja reduzida em função do menor custo com combustível para a empresa concessionária dos serviços.
De parte da empresa VCG e até mesmo da AMTT não se espera que tomassem tal iniciativa de rever a planilha visando uma eventual redução no preço da passagem.
Entretanto, tal providência deveria ser encampada pelo Conselho Municipal de Transportes, órgão que serve, ou serviria, para representar os interesses dos diversos setores da sociedade pontagrossense, principalmente dos empresários que bancam boa parte do custo com as passagens para seus funcionários, bem como pelos usuários do sistema.
Entre os membros do CMT está a ACIPG que representa os empresários da cidade, além da Associação dos Usuários do Transporte Coletivo, que deveria defender os interesses das pessoas que utilizam o sistema.
Mas, depois de uma entrevista do presidente do CMT, Helmiro Bobeck a uma emissora de rádio da cidade, quando que disse que a redução do óleo diesel não vai impactar no valor da tarifa, mesmo com a alteração na planilha de custos, a população de Ponta Grossa quer saber: o Conselho Municipal de Transportes, afinal de contas, defende quais interesses na análise do sistema de transporte coletivo e da planilha de custos do sistema?
Nos parece que dentro da atuação prática do CMT não está a defesa dos interesses da população que utiliza os ônibus, porque se assim fosse, certamente estaria na linha de frente da defesa da redução do valor da tarifa.
E não adianta apresentarem a desculpa de que trata de uma questão legal. Está lá na Lei 7018/2002 que quando houver alteração nos custos que compõe a planilha de custos, para mais ou para menos, haverá a revisão da planilha de custos.
A manifestação do presidente do CMT foi lamentável e triste, e nos dá a entender que esta revisão somente vale para quando os custos aumentam, beneficiando somente a empresa concessionária, e não vale quando há redução no valor de algum item da planilha, o que por si só é algo difícil de acontecer.
É de se lamentar que representantes de diversos segmentos da sociedade de Ponta Grossa simplesmente se curvem aos interesses que não são os mesmos da boa parte da população que banca o lucro astronômico da operadora do sistema.
A VCG não precisa de defensores de seus interesses, mas a população de Ponta Grossa precisa cada vez mais de pessoas e entidades que busque, efetivamente, defender seus interesses.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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