Beto Richa está solto, mas a eleição está complicada

Mendes livrou Beto Richa da cadeia,mas não do ostracismo político.
A surpreendente soltura do ex-governador Beto Richa, através da canetada do ministro do STF, Gilmar Mendes, prova mais uma vez que setores do judiciário enfraquecem as investigações e trabalham contra a moralização na política.
Decisão judicial não se discute, cumpre-se. Mas, podemos discordar. E assim como ocorreu com Zé Dirceu e outras estrelas de outros partidos, a soltura de Beto Richa é um tapa no Ministério Público. A prisão do ex-governador e sua esposa tinha o condão de evitar o represamento das investigações. Soltos, o casal Richa pode contaminar os trabalhos da justiça.
Se no judiciário Beto Richa conseguiu aliviar um pouco a barra, o mesmo não se pode dizer da campanha ao senado. Os 5 dias que ficou na cadeia deixaram marcas profundas junto a opinião pública e, principalmente, aos aliados.
Milhares de apoiadores caíram fora da campanha. Agora, ninguém vai querer ser fotografado ao lado do ex-governador. Adesivos e propaganda eleitoral de Richa foram retirados de veículos, e antigos companheiros retiraram fotos das redes sociais.
Ou seja, o movimento de desconstrução da campanha de Beto Richa ao senado foi iniciado tão logo ele e sua esposa foram presos e não parou, mesmo com a liberdade, que também pode ser provisória.
O efeito devastador na campanha ao senado não pode ser recuperado e seus adversários mais próximos como Oriovisto Guimarães, Flávio Arns e Alex Canziani estão aproveitando muito bem o vácuo para tentar emplacar suas candidaturas.
O fato é que, independente do futuro jurídico do caso de Beto Richa, seu futuro político parece ter sofrido um duro golpe, tão profundo e devastador, que será de difícil reparação.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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