Aposentadoria forçada: Requião e Beto Richa encerram um ciclo político no Paraná

Adversários políticos, Requião e Beto Richa encerram um ciclo na política do Paraná que durou 30 anos.
O senador Roberto Requião (MDB) e o ex-governador Beto Richa (PSDB) receberam dar urnas o pior castigo que um político poderia ter: a aposentadoria forçada. Foi o povo, expressando-se pelo voto e dizendo: “vão para casa!”.
Requião, até poucos dias, estava sentado sob os louros de uma vitória antecipada, deve ter tido um infartado (ou algo parecido) quando viu os resultados das urnas mandarem ele vestir o pijama e cuidar dos netos.
Já para Beto Richa, a trajédia foi anunciado bem antes: dia 11 de setembro, quando a Polícia Civil prendeu ele e a esposa Fernanda em cumprimento a mandado judicial devido as investigações da Operação Rádio Patrulha do MP do Paraná. A prisão e o desgaste jogaram no lixo o prestígio do virtual dono da segunda vaga ao senado pelo Estado.
Requião, que nunca antes sofrera uma derrota tão humilhante. O senador falastrão foi derrotado apenas em duas eleições: em 1998 perdeu a eleição de governador para Jaime Lerner, mas era senador e manteve o mandato. Em 2014, também como senador, perdeu para Beto Richa. Porém, desde 1982, quando foi eleito deputado estadual, nunca havia ficado sem mandato. A partir de 1º de janeiro, Roberto Requião de Mello e Silva foi convidado a deixar a vida pública.
Beto Richa também não teve muitas derrotas eleitorais. Sua primeira tentativa foi como vereador em Curitiba, no ano de 1992, mas não conseguiu se eleger. Foi eleito deputado estadual em 1994; Prefeito de Curitiba em 2004, reeleito em 2008, eleito Governador em 2010 no primeiro turno e reeleito em 2014. Tudo indicava que continuaria sua carreira política no Senado Federal. Mas, no meio do caminho tinha uma, duas, três…várias denúncias, e Beto Richa, sem o foro privilegiado, corre o sério risco de fazer parte do seleto clube dos políticos condenados e presos.
Porém, para o ex-governador a situação é pior: nem mesmo seu sucessor Marcello Richa conseguiu eleger. Em sua primeira tentativa, o primogênito de Beto Richa ficou pelo caminho, e não conquistou uma cadeira na Alep.
Nisto, pelo menos, Requião tem um alento: Requião Filho foi reeleito para a Assembléia e ainda tem a chance de manter o sobrenome conhecido em evidência.
O certo é que ambos encerram um ciclo político no Paraná quem começou nos anos 90 e termina de forma melancólica agora em 2018. O comando político do Estado muda de mãos através dos votos dos eleitores.
Desempregados, estes senhores poderão ter mais tempo para curtir a vida e cuidar dos netinhos. Isto é…se a justiça permitir, é claro!
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

 

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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