O que a Joyce disse (e o que ela não disse) sobre Ponta Grossa

Deputada Joyce Hasselmann, mais polêmicas e menos trabalho parlamentar.
As declarações da deputada federal Joyce Hasselmann foi uma das polêmicas do início desta última semana de novembro. Para quem conhece o histórico da jornalista que virou uma agente política, sabe muito bem que polêmica é com ela mesma. Joyce foi uma das mais ferrenhas críticas dos ex-presidentes Lula e Dilma, e surfou na onda “Bolsonaro” para alavancar sua candidatura no Estado de São Paulo e se tonar uma das campeãs de votos nas últimas eleições.
Entretanto, em Brasília, sua atuação como parlamentar tem sido discreta. Ela continua sendo mais influenciadora de redes sociais e jornalista, do que deputada federal.
A entrevista no jornal Correio Brasiliense onde ela se refere às suas origens humildes, não cita a cidade de Ponta Grossa. Ela disse que é oriunda de “uma favela rural” se referindo ao fato de que sua origem é de família pobre e passou muitas dificuldades. Mas, não disse que era de nascida em Ponta Grossa e daqui saiu somente depois de formada na UEPG no curso de Jornalismo. Nós aqui é que sabemos disto.
Depois da polêmica e repercussão negativa, a deputada veio a público, através de um vídeo, atacar a divulgação da expressão “favela rural” e detonou quem fez críticas de sua fala anterior. Disse também que tem orgulho de Ponta Grossa e leva a cidade “no coração”.
Isto nos leva a refletir da seguinte forma: primeiro que a expressão dela de “favela rural” não fez sentido algum para as pessoas que não sabem onde ela nasceu e formou-se. Faz sentido para nós pontagrossenses, obviamente, que não achamos nada engraçado menosprezar nossa cidade.
Então para todos os fins, ela foi, no mínimo, infeliz, ao se expressar de forma incorreta sobre suas origens. Ela poderia ser mais educada, por assim dizer, e contar a história completa. Evitaria este desgaste.
Claro que esta situação foi explorada por aqueles que tem divergências políticas com a deputada Joyce, considerada traidora do presidente Jair Bolsonaro, uma vez que pertence aquele grupo dos deputados do PSL que entraram em atrito com o presidente e seus filhos e proporcionaram a oportunidade do presidente criar um outro partido.
Joyce, assim como vários outros candidatos, surfaram na “Onda Bolsonaro” e através do PSL conseguiram vitaminar suas candidaturas e conquistar a eleição tão pretendida.
Analisando tudo de uma forma bem imparcial, quem conhece o jeitão da jornalista Joyce, sabe muito bem que a deputada não seria diferente. Ela, de fato, precisa ser mais parlamentar, lutar mais pelos eleitores que votaram nela, ao invés de ser participante ativa de polêmicas nas redes sociais.
Mas, isto é lá problema com os eleitores de São Paulo, estado que ela representa. Para nós pontagrossenses bastava ela dizer que não foi nada disto que divulgaram e se retratar com a cidade natal.
Até agora tínhamos orgulho de dizer que somos conterrâneos de uma pessoa que saiu daqui para fazer sucesso na profissão e agora na política. Não gostaríamos de nos arrepender e lamentar sua origem.
Ainda há tempo para correção de rumo. Tomara que assim seja.
  • Paulo Sérgio Rodrigues, editor.

 

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

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