Pesquisa da UEPG aponta que o pico da pandemia será em julho

Pesquisadores apresentaram análises matemáticas sobre a doença para a equipe técnica da Prefeitura Municipal; Estudo servirá de base para tomada de decisões.
Na tarde da última segunda-feira, o prefeito Marcelo Rangel recebeu em seu gabinete professores que realizaram um estudo relacionado a previsão de evolução do coronavírus na cidade. Eles representam um grupo de estudos de epidemiologia dos departamentos de Enfermagem e Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Conforme apresentaram, o grupo de professores está acompanhando a evolução da doença através de uma projeção de curva desde a primeira confirmação. “Nós estamos analisando desde o início, a partir do primeiro caso, tomando por base outras evidências, de outros municípios. No entanto, no decorrer dos dias, levando em consideração o dia 1 até o dia 43, verificou-se que a curva se comportava de uma maneira muito diferente em Ponta Grossa”, explica a pós doutora em epidemiologia, Camila Martins.
Segundo os pesquisadores, os modelos preditivos foram construídos com base nessa movimentação da curva, considerando, então, modelos matemáticos de probabilidade, que estão sendo acompanhado pelo grupo. Esse modelo está verificando que a curva realmente tem um comportamento mais lento em Ponta Grossa, o que vai postergar o pico da pandemia mais para frente, no entanto, com menor número de casos.

“Caso as medidas de controle de mobilização social se mantenham efetivas e a utilização de equipamentos de proteção individual como máscaras, álcool gel e lavagem das mãos também se intensifiquem, isso contribuirá no controle da curva. Entretanto, essa perspectiva não garante a abertura total do comércio e demais segmentos que seguem suspensos, de forma desenfreada ou sem restrições. Essa curva, nesse movimento, permite o município programar ações talvez de lockdown”, comenta um dos pesquisadores, Carlos Eduardo Coradassi.

Através do estudo, foi possível prever que o pico da curva em Ponta Grossa, nesse momento, pode ocorrer entre 11 e 25 de julho. “Para nós é a certeza de estar tomando as ações corretas. De ter indicado isolamento social na hora certa, de ter realizado suspensão de algumas atividades no momento correto, e de agora poder trabalhar com a retomada de alguns serviços. Nossa intenção e compromisso é com a saúde dos moradores da cidade, fazendo com que todos tenham acesso aos serviços de saúde. Se a curva continuar esticando, não teremos muitos casos todos de uma vez, isso é ótimo”, comemora o prefeito, Marcelo.
Conforme o estudo, a recomendação é de que seja feita avaliação diária do comportamento da curva, porque ela pode modificar e essas medidas também podem receber mudanças. “As medidas podem ser antecipadas ou postergadas, depende muito do monitoramento dos suscetíveis, do monitoramento dos suspeitos e confirmados de acordo com a definição de caso pelo próprio Ministério da Saúde. Além disso, deve levar em consideração o monitoramento dos doentes da taxa de ocupação hospitalar. Então tem várias situações, é multifatorial, por isso que ela precisa ser avaliada por um comitê diariamente. É uma situação muito rápida e uma tomada de decisão muito rápida também”, ressalta Camila.
Durante a reunião, a equipe enfatizou que a utilização de equipamentos de proteção individual, como a máscara, não substitui o isolamento, colabora no sentido de prevenção, mas nunca irá substituir o isolamento e distanciamento social que é a medida protetiva mais correta. “É o momento de se resguardar, é um momento de poupar energia, de se alimentar bem e de se manter em casa, sair pouco, e quando precisar, sair só protegido”, diz Coradassi.
Para finalizar, a equipe comentou a importância da população manter a vacinação contra Influenza atualizada. “Este é o cenário ideal, porque senão nós podemos estar lidando com duas doenças virais no mesmo período e isso pode acarretar alguns problemas para a população e para o próprio sistema de saúde”, encerra Camila.
  • da assessoria.

About Paulo Sérgio Rodrigues

Comentarista político, radialista, trabalhou em diversas emissoras de rádio, em TV e em jornais de Ponta Grossa, vem atuando há 30 anos no jornalismo de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais.

View all posts by Paulo Sérgio Rodrigues →